Postagens

Brasil adentro

Imagem
Mês passado fiz uma viagem que pode ser considerada fora do roteiro de muitos brasileiros, mas que foi, na minha opinião, o passeio mais estonteante de todos dentre os que havia eu feito até então. Embarquei com meus pais ao Amazonas, e lá fomos surpreendidos positivamente, tanto com a capital, Manaus, bem-organizada, quanto à estadia deslumbrante na mata amazônica. Minhas primeiras impressões de Manaus, de onde partiu a aventura, me fizeram quebrar alguns pré-conceitos que eu tinha em relação à região Norte. Eu imaginava que a cidade não seria tão grande (embora seja referência entre todas as capitais na região), que estaria bastante descuidada pelo governo e que o calor de lá seria infernal, misturado com um bafo da umidade oriunda dos rios. Cheguei sem expectativa nenhuma e logo na saída do aeroporto me deparei com um engarrafamento ao longo de uma avenida. Bom, fosse em um dia de semana minha surpresa não seria tão grande, mas era pleno domingo. Quem é de Brasília sabe que, po...

Resenha #27: Antes do Baile Verde

A dose de literatura que trago hoje (provavelmente a última dessas férias) é de autoria de uma grande escritora brasileira, a paulistana Lygia Fagundes Telles. Antes do Baile Verde é uma de suas obras mais aclamadas, e nela está o seu conto mais famoso, Venha Ver o Pôr do Sol . O livro, publicado em 1970, ajunta contos com temáticas com as quais eu, até então, não havia me deparado nas histórias da autora. Apesar de estar familiarizada com seus personagens problemáticos, eu só conhecia os contos mais "macabros" de sua autoria. A leitura é rápida, embora eu tenha demorado quase um mês para terminar o livro. Todas as histórias são recheadas de diálogos - embora a primeira tenha, na minha opinião, uma quantidade significativa de descrições - e isso dá uma dinâmica muito boa para quem é, como eu, meio devagar com a leitura. O fato de os contos serem desconectados e curtinhos, no máximo seis páginas, foi um ponto a meu favor durante a viagem. Uma palavra que, para mim, de...

Resenha #26: Curto-circuito

A resenha que lhes trago hoje é sobre um livro tão contemporâneo que nem mesmo completou dois meses de publicação. Um livrinho pequeno, com 81 páginas e um conteúdo que me surpreendeu positivamente. O autor é Paulo Paniago, um dos professores mais conhecidos na Faculdade de Comunicação da UnB e, uma vez que peguei matéria ministrada por ele, fiquei curiosa para ler o livro por causa da divulgação que ele fez.  A proposta é, em poemas de duas linhas, trazer reflexões a respeito de como vivemos, da política, de como tratamos nós mesmos e os outros, além de questionar as "verdades incontestáveis" do senso comum. Se você acha que fazer isso é fácil, meu amigo... Eu li o livro em uns 30 minutos, no máximo, mas tive que parar, às vezes, entre um poema e outro. A segunda linha (ou verso, seja lá qual for o caso) pode te fazer pensar profundamente em um assunto tão aleatório, mas tão aleatório, que sua linha de pensamento entra "em pane".  Os poemas são debochados ...

Para brasilienses que amam livros e café

Imagem
AVISO: Por mais que pareça, este post  não  é patrocinado (poderia ser, mas não tenho  status  de influenciadora digital - por enquanto estou só nos perrengues para manter o blog ativo no final de semestre 😅). Trago aqui a certificação de que todos os meus relatos são reais e de que estou apenas compartilhando minha própria experiência.  No final de junho visitei uma cafeteria que eu tinha vontade de conhecer desde o início do ano: a  Blend Café , na 405 Sul. Lugares como este merecem ser divulgados porque, em uma cidade como Brasília, é muito raro achar um local bacana, com bom atendimento, comidinhas gostosas e com preços não abusivos para o padrão do Plano Piloto. Eu deveria ter feito um vídeo estilo  tour  pela cafeteria, mas resolvi fotografar mesmo, o que costuma ser minha especialidade. O pessoal que trabalha lá no café é super gente boa: quando falei que tenho um blog de resenhas literárias e que gostaria de mostrar a Blend para ...

Resenha #25: O Processo

Imagem
Escolhi começar esta resenha com a ilustração acima porque é mais ou menos assim que eu visualizo as histórias de Kafka. Elas sempre me vêm à mente como os desenhos de Escher: são confusas, parecem não ter uma estrutura ordenada (nem início, nem meio, nem fim), e perdem-se "em si mesmas". É como uma rua sem saída na qual você adentra e, no final das contas, é obrigado a retornar ao início e seguir em outra direção. Tentarei explicar o inexplicável que é O Processo  de Franz Kafka, escrito por volta de 1914. De início, informo que trata-se de um livro inacabado e que só foi publicado graças a um amigo de Kafka, Max Brod, após a morte do autor em 1924. Por causa disso, algumas partes estão incompletas e o leitor é obrigado a voltar-se às notas de rodapé e aos trechos riscados pelo autor (uma espécie de apêndice no final do livro). Pessoalmente, não achei que isso foi um empecilho; em nenhum momento senti que a leitura ficou menos fluida por causa desses adicionais - pelo...

Feira do Livro de Brasília 2019

Imagem
Como toda boa leitora, eu não perderia a chance de conferir mais uma edição da Feira do Livro de Brasília (FeliB), que começou no dia 6 e vai até hoje, dia 16 de junho. Este ano o evento, que geralmente acontece na área lateral do Pátio Brasil Shopping, está situado entre o Museu da República e a Biblioteca. A princípio, esse fator me animou muito, visto que a área é bem localizada, mas comecei a desanimar quando li a respeito da falta de verbas e do consequente cancelamento de apresentações e de palestras com autores.  Depois de ir à Bienal do Livro de São Paulo no ano passado, o esperado seria que eu fosse um pouco mais crítica com a dimensão da FeliB, mas o que eu encontrei me surpreendeu positivamente. A estrutura do evento tem uma dimensão muito boa, contando com uma espécie de "área gastronômica", dois palcos para apresentações; um espaço separado para projetos de incentivo à cultura e a autores; estandes de venda de livros (evidentemente), além de duas entrad...

O que é o Amor? (Pseudo-ensaio)

Imagem
Hoje é comemorado o Dia dos Namorados no Brasil, data a qual, para muitos, é apenas mais um dia de lamúrias por não "ter ninguém" (e eu compreendo isso, em parte). Entretanto, assim como algumas pessoas fazem em países onde se comemora o Valentine's Day , percebo que hoje há a tendência de amigos (solteiros, até onde eu saiba) celebrarem a data como prova de que não é preciso estar em um relacionamento romântico para se alegrar no "Dia do Amor". E acho essa ideia super válida - sabe por quê? Porque muitas vezes nos esquecemos do que é o Amor.  Na sociedade pós-moderna em que vivemos, desconstruímos a ideia do que é amar. Para reforçar a minha linha de pensamento, começarei com a ideia defendida por Bauman em Amor Líquido de que o amor é tido hoje como "episódios intensos, curtos e impactantes" vividos com a consciência da sua própria fragilidade. Parece-nos muito simples identificar o amor em uma canção, ou simplesmente confundi-lo com ...