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Feira do Livro de Brasília 2019

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Como toda boa leitora, eu não perderia a chance de conferir mais uma edição da Feira do Livro de Brasília (FeliB), que começou no dia 6 e vai até hoje, dia 16 de junho. Este ano o evento, que geralmente acontece na área lateral do Pátio Brasil Shopping, está situado entre o Museu da República e a Biblioteca. A princípio, esse fator me animou muito, visto que a área é bem localizada, mas comecei a desanimar quando li a respeito da falta de verbas e do consequente cancelamento de apresentações e de palestras com autores.  Depois de ir à Bienal do Livro de São Paulo no ano passado, o esperado seria que eu fosse um pouco mais crítica com a dimensão da FeliB, mas o que eu encontrei me surpreendeu positivamente. A estrutura do evento tem uma dimensão muito boa, contando com uma espécie de "área gastronômica", dois palcos para apresentações; um espaço separado para projetos de incentivo à cultura e a autores; estandes de venda de livros (evidentemente), além de duas entrad...

O que é o Amor? (Pseudo-ensaio)

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Hoje é comemorado o Dia dos Namorados no Brasil, data a qual, para muitos, é apenas mais um dia de lamúrias por não "ter ninguém" (e eu compreendo isso, em parte). Entretanto, assim como algumas pessoas fazem em países onde se comemora o Valentine's Day , percebo que hoje há a tendência de amigos (solteiros, até onde eu saiba) celebrarem a data como prova de que não é preciso estar em um relacionamento romântico para se alegrar no "Dia do Amor". E acho essa ideia super válida - sabe por quê? Porque muitas vezes nos esquecemos do que é o Amor.  Na sociedade pós-moderna em que vivemos, desconstruímos a ideia do que é amar. Para reforçar a minha linha de pensamento, começarei com a ideia defendida por Bauman em Amor Líquido de que o amor é tido hoje como "episódios intensos, curtos e impactantes" vividos com a consciência da sua própria fragilidade. Parece-nos muito simples identificar o amor em uma canção, ou simplesmente confundi-lo com ...

Resenha #24: Dublinenses

Finalmente trago a vocês a resenha de um livro de James Joyce. Desde o ano passado eu queria encontrar algum livro dele em inglês, e agora que (finalmente) aprendi a me localizar na biblioteca da UnB, aproveitei a brecha entre uma prova e a entrega dos trabalhos finais para locar Dubliners (ou Dublinenses , na versão brasileira). O livro é um compilado de 15 crônicas, cada uma com um retrato crítico da sociedade irlandesa do final do século dezenove início do vinte; na versão que eu peguei tem 176 páginas. As histórias que fazem parte da obra foram publicadas entre 1904 e 1907, mas a publicação de tudo só foi possível sete anos mais tarde.  O que fez Joyce demorar tanto para ser aprovado pelos editores? Simples! Ninguém acreditava que a literatura que ele escrevia era boa. "Cheguei à conclusão de que não posso escrever sem ofender as pessoas", contou o autor em uma carta datada de 1906. As crônicas eram ofensivas, depravadas, transparentes demais para as pessoas de ...

Rel(ações) virtuais

Neste mês de maio eu venho tendo conversas inintencionais com várias pessoas a respeito do mundo virtual. É um assunto um pouco enfadado, principalmente para nós que nascemos depois de 1990, mas devemos constantemente nos indagar a respeito de o quanto tudo isso nos afeta. Pegamos o início da era das redes sociais e nos adaptamos rapidamente; eu mesma criei um Facebook com onze anos de idade (para jogar CityVille ), então considero o mundo virtual tão "natural" quanto os ambientes e objetos ao meu redor.  Há umas duas semanas tive um diálogo bem produtivo com um amigo sobre como nos apresentamos na internet, como isso afeta o modo em que vivemos e a nossa privacidade (contando com referências a episódios de  Black Mirror e a Bauman). Contraditoriamente, naquela mesma semana eu passava por um momento de angústia por não conseguir chegar em alguém no Whatsapp, para puxar conversa. Cheguei a ficar decepcionada comigo mesma, uma vez que na "vida real" eu conversava...

Opinião sobre o Corte de Gastos da UnB

Oi, pessoal, Não sou muito afim de textos políticos, mas ontem decidi ler os comentários a respeito de um protesto que ocorreu na UnB contra o corte de gastos das universidades (também ontem) e fiquei decepcionada. É tão triste saber que existem tantas pessoas apoiando essa decisão. Para nós, que vivemos todos os dias o desprezo pela educação, dá uma aflição enorme, pois essa medida nos atinge diretamente. Antes de dormir, escrevi este texto, no meu celular mesmo, e decidi publicá-lo. Não me importo se não gostarem, mas peço para que reflitam.  Sou estudante da UnB e não me considero nem de esquerda, nem de direita. Isso não torna meu posicionamento neutro quanto ao que vem acontecendo nesta última semana. Quando entrei na Universidade de Brasília, no início do ano passado, eu logo senti o desinteresse do financiamento para os cursos de Humanas. Se não me engano, desde 2014 o Governo Federal vem afunilando (e desculpem-me pelo gerundismo) os gastos com as universidades pública...

Resenha #23: Enclausurado

Vai chegando o meio do semestre e logo as minhas leituras literárias vão diminuindo... Em abril só consegui ler um romance, recomendado para o trabalho final da matéria que peguei de Introdução à Teoria da Literatura. Mas como foi uma leitura prazerosa (apesar de esquisita), decidi escrever uma resenha sobre a obra. Trata-se do livro "Enclausurado", do escritor inglês Ian McEwan, publicado em 2016 com o título original "Nutshell" (A Casca de Noz). Talvez para não ser confundido com um dos livros de Stephen Hawking, decidiram traduzir o título da obra para Enclausurado .  Prefiro o original, mas fazer o quê, né? São 200 páginas, ou seja, é um livro relativamente pequeno. Se você não estiver empacado em trabalhos e leituras para a faculdade como eu, dá para ler tranquilamente ao longo de uma semana. O enredo não me prendeu como eu esperava, mas a narrativa flui bem.  A história é uma releitura de Hamlet (uma das peças mais famosas de Shakespeare e que até hoje ...

Tudo por conta da luz

É engraçado como às vezes certas coisas devem acontecer para que possamos refletir e repensar acerca do mundo no qual vivemos. Sem culpabilidades, apresento o meu ponto de vista: como a vida corre tanto no modo “piloto automático” que só paramos quando alguma reviravolta (ou epifania) acontece. Hoje (que já será ontem quando eu postar este texto) houve uma forte tempestade durante a tarde, dessas com muito vento, raios, relâmpagos e trovoadas. Quem é de Brasília já se acostuma a tirar as velas e as caixas de fósforo do armário porque é certo: a energia logo vai acabar. Apesar de serem ainda umas 16h, o céu estava tão escuro que parecia ser início de noite. Enfim, a eletricidade, de fato acabou, e eu continuei no meu computador, assistindo a um vídeo já carregado. Como eu tinha que ler uns textos para as aulas de amanhã (hoje, se você está lendo o post no dia 22), fiquei roteando a internet do meu celular. Uma hora havia se passado e nada da energia voltar. Minha mãe abriu um ...