Postagens

Resenha #26: Curto-circuito

A resenha que lhes trago hoje é sobre um livro tão contemporâneo que nem mesmo completou dois meses de publicação. Um livrinho pequeno, com 81 páginas e um conteúdo que me surpreendeu positivamente. O autor é Paulo Paniago, um dos professores mais conhecidos na Faculdade de Comunicação da UnB e, uma vez que peguei matéria ministrada por ele, fiquei curiosa para ler o livro por causa da divulgação que ele fez.  A proposta é, em poemas de duas linhas, trazer reflexões a respeito de como vivemos, da política, de como tratamos nós mesmos e os outros, além de questionar as "verdades incontestáveis" do senso comum. Se você acha que fazer isso é fácil, meu amigo... Eu li o livro em uns 30 minutos, no máximo, mas tive que parar, às vezes, entre um poema e outro. A segunda linha (ou verso, seja lá qual for o caso) pode te fazer pensar profundamente em um assunto tão aleatório, mas tão aleatório, que sua linha de pensamento entra "em pane".  Os poemas são debochados ...

Para brasilienses que amam livros e café

Imagem
AVISO: Por mais que pareça, este post  não  é patrocinado (poderia ser, mas não tenho  status  de influenciadora digital - por enquanto estou só nos perrengues para manter o blog ativo no final de semestre 😅). Trago aqui a certificação de que todos os meus relatos são reais e de que estou apenas compartilhando minha própria experiência.  No final de junho visitei uma cafeteria que eu tinha vontade de conhecer desde o início do ano: a  Blend Café , na 405 Sul. Lugares como este merecem ser divulgados porque, em uma cidade como Brasília, é muito raro achar um local bacana, com bom atendimento, comidinhas gostosas e com preços não abusivos para o padrão do Plano Piloto. Eu deveria ter feito um vídeo estilo  tour  pela cafeteria, mas resolvi fotografar mesmo, o que costuma ser minha especialidade. O pessoal que trabalha lá no café é super gente boa: quando falei que tenho um blog de resenhas literárias e que gostaria de mostrar a Blend para ...

Resenha #25: O Processo

Imagem
Escolhi começar esta resenha com a ilustração acima porque é mais ou menos assim que eu visualizo as histórias de Kafka. Elas sempre me vêm à mente como os desenhos de Escher: são confusas, parecem não ter uma estrutura ordenada (nem início, nem meio, nem fim), e perdem-se "em si mesmas". É como uma rua sem saída na qual você adentra e, no final das contas, é obrigado a retornar ao início e seguir em outra direção. Tentarei explicar o inexplicável que é O Processo  de Franz Kafka, escrito por volta de 1914. De início, informo que trata-se de um livro inacabado e que só foi publicado graças a um amigo de Kafka, Max Brod, após a morte do autor em 1924. Por causa disso, algumas partes estão incompletas e o leitor é obrigado a voltar-se às notas de rodapé e aos trechos riscados pelo autor (uma espécie de apêndice no final do livro). Pessoalmente, não achei que isso foi um empecilho; em nenhum momento senti que a leitura ficou menos fluida por causa desses adicionais - pelo...

Feira do Livro de Brasília 2019

Imagem
Como toda boa leitora, eu não perderia a chance de conferir mais uma edição da Feira do Livro de Brasília (FeliB), que começou no dia 6 e vai até hoje, dia 16 de junho. Este ano o evento, que geralmente acontece na área lateral do Pátio Brasil Shopping, está situado entre o Museu da República e a Biblioteca. A princípio, esse fator me animou muito, visto que a área é bem localizada, mas comecei a desanimar quando li a respeito da falta de verbas e do consequente cancelamento de apresentações e de palestras com autores.  Depois de ir à Bienal do Livro de São Paulo no ano passado, o esperado seria que eu fosse um pouco mais crítica com a dimensão da FeliB, mas o que eu encontrei me surpreendeu positivamente. A estrutura do evento tem uma dimensão muito boa, contando com uma espécie de "área gastronômica", dois palcos para apresentações; um espaço separado para projetos de incentivo à cultura e a autores; estandes de venda de livros (evidentemente), além de duas entrad...

O que é o Amor? (Pseudo-ensaio)

Imagem
Hoje é comemorado o Dia dos Namorados no Brasil, data a qual, para muitos, é apenas mais um dia de lamúrias por não "ter ninguém" (e eu compreendo isso, em parte). Entretanto, assim como algumas pessoas fazem em países onde se comemora o Valentine's Day , percebo que hoje há a tendência de amigos (solteiros, até onde eu saiba) celebrarem a data como prova de que não é preciso estar em um relacionamento romântico para se alegrar no "Dia do Amor". E acho essa ideia super válida - sabe por quê? Porque muitas vezes nos esquecemos do que é o Amor.  Na sociedade pós-moderna em que vivemos, desconstruímos a ideia do que é amar. Para reforçar a minha linha de pensamento, começarei com a ideia defendida por Bauman em Amor Líquido de que o amor é tido hoje como "episódios intensos, curtos e impactantes" vividos com a consciência da sua própria fragilidade. Parece-nos muito simples identificar o amor em uma canção, ou simplesmente confundi-lo com ...

Resenha #24: Dublinenses

Finalmente trago a vocês a resenha de um livro de James Joyce. Desde o ano passado eu queria encontrar algum livro dele em inglês, e agora que (finalmente) aprendi a me localizar na biblioteca da UnB, aproveitei a brecha entre uma prova e a entrega dos trabalhos finais para locar Dubliners (ou Dublinenses , na versão brasileira). O livro é um compilado de 15 crônicas, cada uma com um retrato crítico da sociedade irlandesa do final do século dezenove início do vinte; na versão que eu peguei tem 176 páginas. As histórias que fazem parte da obra foram publicadas entre 1904 e 1907, mas a publicação de tudo só foi possível sete anos mais tarde.  O que fez Joyce demorar tanto para ser aprovado pelos editores? Simples! Ninguém acreditava que a literatura que ele escrevia era boa. "Cheguei à conclusão de que não posso escrever sem ofender as pessoas", contou o autor em uma carta datada de 1906. As crônicas eram ofensivas, depravadas, transparentes demais para as pessoas de ...

Rel(ações) virtuais

Neste mês de maio eu venho tendo conversas inintencionais com várias pessoas a respeito do mundo virtual. É um assunto um pouco enfadado, principalmente para nós que nascemos depois de 1990, mas devemos constantemente nos indagar a respeito de o quanto tudo isso nos afeta. Pegamos o início da era das redes sociais e nos adaptamos rapidamente; eu mesma criei um Facebook com onze anos de idade (para jogar CityVille ), então considero o mundo virtual tão "natural" quanto os ambientes e objetos ao meu redor.  Há umas duas semanas tive um diálogo bem produtivo com um amigo sobre como nos apresentamos na internet, como isso afeta o modo em que vivemos e a nossa privacidade (contando com referências a episódios de  Black Mirror e a Bauman). Contraditoriamente, naquela mesma semana eu passava por um momento de angústia por não conseguir chegar em alguém no Whatsapp, para puxar conversa. Cheguei a ficar decepcionada comigo mesma, uma vez que na "vida real" eu conversava...